segunda-feira, 10 de outubro de 2011

são paulo 457 anos

Foto daqui.


(ou declaração de uma paulistana morando no exterior)

morar em São Paulo é:

ter uma vida sempre agitada, não ter tempo pra nada mas fazer tudo, stress, mil baladas, festas e eventos pra ir em um só dia, pegar metro e onibus lotado todos os dias e ter que pagar caro por um serviço mediano, transito, barulho de buzinas, caos, poluição, pessoas de todos os lugares e tipos, andar na av paulista de domingo, ir na benedito calixto no sabado, comer pastel no mercado municipal, comer pastel em qualquer feira da cidade, ir no cinema na regiao da consolaçao, ir na livraria cultura só dar uma olhada nos livros, tomar mto café, tomar um chopp com os amigos na vl madalena, ver um show de rock na augusta, sair de balada na barra funda, nao tomar sol, não ter praia, ser zoado pelos cariocas, nadar na enchente, almoçar no centro de dia de semana, correr porque se está sempre atrasado, infelizmente se acostumar a ver pessoas morando na rua em todos os lugares, enfrentar multidao na 25 de março, participar da virada cultural, mostra de cinema, peruada!, andar de bicicleta na cidade universitaria, estudar na USP, ter vergonha do borba gato, arrasar na integração do bilhete unico, tomar café da manhã ou ir no black dog depois da balada, pão na chapa e média, prato feito da padaria, ter um bairro kitsch como o bixiga, ir na pinacoteca, no sesc, itaú cultural e ccbb, contrastes de todos os tipos, ter o bom retiro e a oscar freire, a galeria pajé e o shopping iguatemi, falar meu, puta, tipo, cara, mano, assim, ter padarias, supermercados, farmácias, tuuuuuuuudo que funcione 24 horas por dia, ir na feira na liberdade e emendar um sushi em um restaurante japa roots, assistir um jogo no morumbi, e terminar o ano com sao silvestre.

São Paulo, vc é caótica, mas eu gosto de vc.


janeiro, 2011.

sábado, 21 de novembro de 2009

The killers no Brasil

Em um post do final do ano passado comentei sobre o terceiro e, na época, recém-lançado disco do killers e sobre a esperança deles fazerem show em 2009 no Brasil. Agora posso voltar ao blog e dizer que finalmente vi essa banda que gosto tanto ao vivo. E foi sensacional!

Cena 1: chácara do jockey, longe pra burro, quase em taboão da serra. Dia chuvoso em São Paulo. Trânsito. Nada disso tirou minha animação. Cheguei atrasada no show, mas quando vi aquele palco todo montado, o som maravilhoso e alto e todo mundo curtindo, enfiei o pé na lama da chácara e saí pulando.

Cena 2: Brandon Flowers, o frontman do Killers. O cara tem carisma. Não to nem aí se ele anda se achando o bono vox. O que importa é que ele realmente sabe animar o público e agitar a banda. Toca teclado, pula, canta muito, é o cara.

Cena 3: O palco. Fantástico, um telão com imagens bem legais, luzes, velas, fogos, papel metalizado, DE TUDO UM POUCO. Realmente é uma coisa bem montada e visualmente legal. Um show a parte.

Cena 4: As músicas. Nem preciso dizer, por questões óbvias, que eu morri em "mr. brightside". Claro que essa não foi a única música. Infelizmente cheguei depois de "Human" e "Somebody told me", mas eles tocaram um pouco de cada CD. "Smile like you mean it" foi sensacional, começando com a música em ritmo lento e depois entrando com tudo as guitarras. "Spaceman" foi de levantar toda a platéia com seu animado "OOOOO", rs. E tantas outras, como "read my mind", "all these things that I've done", "bones", etc. Fechou com chave de ouro com "when you were young".

Resultado: felicidade pura. E quero ir a outro show do killers - na pista vip, se possível. Ou gostaria de ganhar uma promoção com um show em las vegas... sonhando alto, né? rs...


Setlist pelo site do Uol:

"Human"
"This Is Your Life"
"Somebody Told Me"
"For Reasons Unknown"
"Bones"
"The World We Live In"
"Joy Ride"
"Human" (versão no piano)
"Bling (Confession of a King)"
"Shadowplay" (cover do Joy Division)
"Smile Like You Mean It"
"Spaceman"
"A Dustland Fairytale"
"Can't Help Falling in Love" (cover de Elvis Presley)
"Read My Mind"
"Mr. Brightside"
"All These Things That I've Done"
(bis)
"Jenny Was A Friend Of Mine"
"When You Were Young"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

No abismo que é pensar e sentir

ponto de ônibus.

ela se questionava como as pessoas ficam tão óbvias quando gostam de alguém. não apenas gostar, na realidade, mas quando ficam naquele estágio de se apaixonar. como era possível isso acontecer, justo com um sentimento que não é nada óbvio? sentimento que todo mundo questiona, sempre tem um amargurado que diz "não acredito mais no amor" - até o próximo ser que o faça esquecer a razão de ser. sempre tem um adolescente se matando com um sentimento que nem viveu ainda, mas tem certeza que existe - pelo menos é o que diz aquela música que ele ouve diversas vezes por dia. e a maioria da metrópole que não tem muito tempo para pensar nisso, vive a vida apenas e pensa que o amor é aquilo que passa na novela das oito. bullshit, pensa ela.

o tempo ia virar. não aguentava mais o tempo daquela cidade. mas o que ela queria entender era a mudança sentimental das pessoas. ela se irritava porque nunca conseguia perceber quando passava do estado normal para o momento óbvio. e ela odiava ser óbvia. e se esforçava para não ser. todo esforço para racionalizar algo. talvez impossível? tão racional, tão planejado, tão... imprevisível.

é, ela nunca vai (se) entender.

domingo, 20 de setembro de 2009

Não temos praia

o problema de ser paulistano é que não temos uma praia logo na esquina.

É, São Paulo não foi planejada, nem imaginada. Aconteceu, por um azar - ou seria sorte? - do destino. Os paulistanos eram vistos no Brasil colônia como uns caipiras: aquele povo que morava lá no sudeste do Brasil, uns comedores de formiga. Os portogas certamente tiravam os paulistanos: só bandeirantes, o povo que fica lá, depois da serra do mar. E que serra! Muito persistente o português que resolveu desbravar a serra para chegar em terras paulistanas. Mas a capitania de São Vicente já começara mal: pau brasil não dá aqui, não. Foi só quando o comércio de cana de açúcar começou a desandar que os paulistanos começaram a virar protagonistas do lugar. Primeiro a descoberta do ouro nas minas gerais. E, finalmente! O Café! Sim! Tínhamos a terra perfeita para o plantio de café. A região começou a se desenvolver e aqui estamos.

Sabe-se lá porque o imperador resolveu colocar um dos primeiros cursos jurídicos do Brasil em São Paulo. Álvares de Azevedo, um dos alunos, odiava a cidade. Causava-lhe tédio. Sim, não temos praia. Sim, somos paulistanos. Sim, moramos em uma cidade cinza. O Rio de Janeiro continua lindo... mas, e daí? Temos o trânsito mais caótico, as pessoas mais agitadas, as grandes empresas, as massas trabalhadoras, concreto, concreto, concreto... mas essa grande metrópole é formada por pessoas, pessoas de todos os lugares, com as mais diversas histórias e preferências... e dessas pessoas se forma a mistura cultural que São Paulo é. E muita de sua beleza vem daí.

Não temos praia. Mas não me importo. O mais legal em ser paulistano é saber conviver com o caos e ver a sua beleza por trás de todo esse cinza caótico que nos envolve na loucura da rotina.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sol, amigos e aquela alegria

Foto: Stephan Solon/Divulgação/Via Funchal

Imagine você e seus amigos, um dia ensolarado, água de coco, praia, mar, violão, música. É assim que eu imagino o Little Joy, da formação da banda até agora. Fui conferir o show deles ontem. Seguem as impressões de uma pessoa que não é mega fã da banda, mas que curte o trabalho.

O via funchal não estava tão lotado, mas tinha bastante gente na platéia. Não pude ir à Clash no início do ano para ver o primeiro show deles no Brasil. Minha impressão é que o Little Joy é uma banda mais para público e lugares pequenos do que grandes casas de show. Os integrantes tem carisma (principalmente o Amarante... que saudade de los hermanos together), o show funcionou bem, a platéia se empolgou bastante, mas prefiro ouvir músicas mais calmas em lugares menores. Ou coloque mais guitarras aí, por favor.

Aliás, falando em "mais guitarras", as músicas novas são bem legais, com arranjos mais "rock". Já li por aí que as novas músicas têm a influência "strokes" que fabrizio moretti poderia levar para a banda. Gostei. Vou esperar o próximo cd. O cover do Gilberto Gil (procissão) ficou muito bom, gostei do arranjo de guitarras. E o "grand finale" ficou com "Brand new start", um coro geral.

Balanço do show: Little Joy continua um sucesso, e não um projeto paralelo que logo vai ser desativado. Não sei até onde vai, mas por enquanto segue na alegria de verão dos amigos reunidos com sol, cerveja e violão.

sábado, 1 de agosto de 2009

À deriva


Em tempos de gripe, só me restou ir ao cinema em uma tarde qualquer. Escolhi assistir ao filme brasileiro "à deriva", do diretor pernambucano Heitor Dhalia. É um filme lindo.

"À deriva" foi selecionado nesse ano para participar do Festival de Cannes na mostra "un certain regard", que geralmente mostra filmes dirigidos por jovens diretores, que prometem ter um futuro brilhante. Sérgio Machado e seu "cidade baixa" já haviam passado por lá.

O novo filme de Heitor Dhalia é totalmente diferente dos seus dois longas anteriores, "Nina" e "cheiro do ralo", os quais, sinceramente, não tinha gostado muito. Esses dois primeiros eram filmes que misturavam linguagem de HQ e tratavam de um mundo caricato e surreal. Já "à deriva" é um filme belo, sutil, doce e delicado. É um lindo drama, que sabe tratar de um tema tão difícil - a fragmentação de uma família dita "perfeita" - com certa leveza.

Felipa (Laura Neiva), a protagonista, é a filha mais velha do casal formado por Matias (Vincent Cassel, excelente atuando em português), um escritor francês, e Clarice (Débora Bloch). A família passa as férias em Búzios e Felipa, uma menina de 14 anos, vive o começo de sua adolescência. Ao mesmo tempo, descobre que seu pai tem uma amante e que sua família não é tão perfeita quanto imaginava ser. É o conflito entre a menina que ainda é criança e não consegue entender completamente o que se passa a sua volta e a mulher que quer e precisa começar a ser. O amadurecimento da personagem é o que acompanha o filme (e, desse modo, a cena final do filme faz todo sentido, mas é claro que não vamos comentá-la aqui).

O elenco, no geral, é muito bom. Laura Neiva é de uma espontaneidade e naturalidade incrível. Foi descoberta pelo casting por meio do orkut. Parece surreal, mas deu certo. Vincent Cassel arrasa em seu papel como o super pai. Bem diferente dos papéis que costuma fazer, como o mafioso de "senhores do crime". A interação dos dois, pai e filha do filme, é ótima. Também gostei muito da trilha sonora. E o mar, sempre tão presente. Esses dois elementos, música e cenário, dão beleza ao filme.

Não é fácil passar pelo período turbulento do início da adolescência e ao mesmo tempo enfrentar a separação dos pais. Mas Heitor Dahlia soube contar essa história de forma delicada, sem fazer melodrama, transformando uma história triste em um belo filme, com boas atuações, músicas e cenário. Assim o cinema nacional começa a mostrar produções com temáticas diversificadas, como esse drama familiar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Onde o sol se põe quando deveria nascer

Foto tirada daqui.

Acabei de ler "O sol se põe em São Paulo", de Bernardo Carvalho, que ficou com o segundo lugar na categoria romance do jabuti de 2008. O livro me chamou atenção logo de início pela capa - uma belíssima foto do por do sol em são paulo, minha cidade que amo tanto - e também pelo título. Engraçado que não me interessei pelo grande vencedor do jabuti do ano passado, mas fui direto para o segundo livro. E acho que fiz certo.

A história começa com um descendente de japoneses desiludido com a vida, frustrado com a carreira de publicitário e a vontade de ser escritor que não se realizou. Após ter voltado a ir ao mesmo restaurante na liberdade que ia com os amigos quando era mais jovem, a dona do restaurante, em uma noite, pergunta subitamente a ele se é escritor. Obviamente que ele fica surpreso. Dessa conversa surgem várias tramas. A dona do restaurante, uma velhinha japonesa, quer lhe contar uma história, algo que não pode ser esquecido, algo que realmente deve ser registrado. Há um mistério constante em torno da sua figura. Ao mesmo tempo em que há um certo distanciamento da velha na história contada, é possível ver que ela está envolvida - embora não se saiba como e quanto - na própria história que narra. Estabelece-se, daí, um quebra-cabeça que simplesmente não se encaixa.

A medida que os fatos vão sendo narrados e acontecimentos surpreendentes acontecem, é impossível parar de ler. E meu parâmetro para um bom livro é aquele que sabe prender a atenção do leitor desse modo. Esse livro é assim. É interessante que ele se passa em vários lugares e épocas diferentes: são paulo, japão (tokyo, osaka, kyoto, etc etc), promissão e outras cidades do interior paulista... década de 30, segunda guerra, imigração japonesa, infância do narrador, hoje... e tudo está surpreendentemente conectado.

Recomendo muito o livro, mais um da safra de bons autores brasileiros contemporâneos. E um livro que tem tanto a ver com o Japão e correntes migratórias não podia mesmo senão começar em são paulo, onde o sol se põe enquanto do outro lado do mundo ele nasce.